Setor do financiamento especializado dinamiza economia nacional

BALANÇO DE 2016: OS NÚMEROS DO FINANCIAMENTO ESPECIALIZADO EM PORTUGAL

 

SETOR DO FINANCIAMENTO ESPECIALIZADO DINAMIZA ECONOMIA NACIONAL

 

Os valores positivos alcançados pelos instrumentos de financiamento especializado em Portugal indicam uma evolução positiva da economia em 2016, de acordo com a Associação Portuguesa de Leasing, Factoring e Renting (ALF).

 

O Renting foi um dos protagonistas do financiamento especializado em Portugal no decorrer de 2016. Segundo os dados da ALF, este setor registou um crescimento de 15,1%, representando uma produção de 624 milhões de euros, com 31.840 novas viaturas adquiridas (25.436 ligeiras de passageiros e 6.404 comerciais) no total – isto é mais 11,5% do que em 2015. Já as frotas automóveis geridas pelas empresas de Renting totalizaram um número superior a 99.500 (demonstrando um crescimento de 8,0% relativamente ao período homólogo), correspondendo a 1,46 mil milhões de euros, isto é 11,6% superior ao ano anterior.

 

O Renting tem acompanhado as tendências do setor automóvel e da economia Portuguesa nos últimos anos, tendo regressado a um novo período de crescimento em 2014. Os números da ALF demonstram que em Portugal se começa a encarar com normalidade a mobilidade como um serviço, bem como a valorizar todos os seus principais benefícios, associados à inovação, eficiência, sustentabilidade e economia de custos”, destaca António Oliveira Martins, Vice-Presidente da ALF responsável pelo Renting.

 

 

Em 2016, o Leasing continuou a apresentar uma evolução igualmente positiva, destacando-se a Locação Financeira Imobiliária, com um aumento de 10% nos valores de produção, que correspondem a 742 milhões de euros. Já a locação financeira mobiliária que financia todo o tipo de equipamentos e de viaturas assinalou também um acréscimo de 5% relativamente ao ano precedente, com uma produção de 1,7 mil milhões de euros (sendo que 1,1 mil milhões de euros reportam a viaturas e 591 milhões de euros a equipamentos). No total, o Leasing foi responsável por injectar 2,46 mil milhões de euros em investimentos em Portugal ao longo de 2016.

 

Para Eduardo Moradas, Diretor da ALF, responsável para o Leasing, “através destes números constata-se que as empresas, especialmente as PMEs, estão a tirar partido da recuperação económica para modernizar as suas estruturas produtivas financiando-se através do Leasing pelas vantagens que obtêm, como a flexibilidade dos contratos em termos de prazos, prestações reduzidas e formas de pagamento”. O porta-voz acrescenta ainda que “é um produto bastante conhecido e utilizado e ficamos satisfeitos em constatar que o seu recurso por parte dos agentes económicos está a crescer de forma tão expressiva”.

 

 

Já o mercado português do Factoring tomou cerca de 24,5 mil milhões de euros em faturas, consubstanciando um aumento de 7%, relativamente aos 22,9 mil milhões de euros registados em 2015, consolidando assim o crescimento iniciado há dois anos.

 

O Factoring Internacional continua a ser o segmento que regista maior taxa de crescimento, de 22% comparativamente ao ano anterior – equivalendo a mais 613 milhões de euros em créditos tomados do que em 2015 para perfazer quase 3,5 mil milhões de euros em 2016. Neste âmbito, o Factoring de Exportação é a variante que mais contribui, correspondendo a 3,2 mil milhões de euros (enquanto no ano de 2015 tinha ficado pelos 2,7 mil milhões de euros).

 

Além disso, o Factoring Doméstico registou um volume de negócios de 12,6 mil milhões de euros, apresentando um aumento de 2,6% (mais 320 milhões de euros do que em 2015). Esta componente representa ainda assim 51,3% da produção total do setor, sendo que 5,9 mil milhões correspondem a Factoring com Recurso1 e 6,7 mil milhões a Factoring sem Recurso2.

 

Já o Confirming (ou Reverse Factoring)3 continuou a crescer em 2016 a uma taxa de 8,5%, atingindo os 8,5 mil milhões de euros em faturas, o que significa mais 663 milhões do que no período homólogo.

Estes dados confirmam que o Factoring manteve-se como uma forte e estável opção de financiamento especializado em Portugal, denotando-se ainda um grande potencial de crescimento entre as PMEs em particular, que cada vez mais recorrem a este mecanismo. Para além de proporcionar uma melhor organização da tesouraria, ao mesmo que transforma os custos fixos em variáveis, pela via da subcontratação da cobrança, incluindo nas exportações e importações, denote-se a possibilidade de proporcionar liquidez imediata, através do financiamento do montante de vendas”, afirma Rui Esteves, Vice-Presidente da ALF responsável para o Factoring.

 

 

NOTAS:

1 Factoring Com Recurso (ou com direito de regresso) - Nesta modalidade, a empresa aderente beneficia do serviço de gestão e cobrança dos créditos, podendo também optar pelo financiamento da carteira de créditos cedida. O factor tem o direito de regresso sobre o aderente, relativamente aos créditos tomados que não sejam pagos pelos devedores nos respetivos prazos de pagamento.

2 Factoring Sem Recurso (ou sem direito de regresso) – Neste caso, a empresa aderente beneficia do serviço de gestão e cobrança dos créditos, bem como da cobertura dos riscos de insolvência e/ou incumprimento por parte dos devedores, podendo ainda optar pela antecipação de fundos. Esta modalidade confere uma segurança acrescida nas vendas a crédito.

3 Confirming (ou Reverse Factoring) – Nesta modalidade, o factor efetua o pagamento aos fornecedores do seu cliente, podendo este pagamento também assumir a forma de adiantamento. Neste último caso, o fornecedor transformar-se-á em aderente de um contrato de factoring.

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