FÓRUM ALF 2022 ACENTUA IMPORTÂNCIA DO FINANCIAMENTO ESPECIALIZADO PARA O PIB E AS EXPORTAÇÕES

“Este é o momento de trabalhar em soluções inovadoras no financiamento especializado”, notou Rita Marques, Secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, durante o Fórum ALF, realizado esta quinta-feira. Numa proximidade de posições, o presidente da Associação Portuguesa de Leasing Factoring e Renting, Luís Augusto, aponta o setor como “impulsionador inequívoco do crescimento económico”.

 

As empresas portuguesas devem promover a sua adaptação aos desafios da sustentabilidade e da digitalização, e o financiamento especializado afirma-se como um dos veículos para a transição. Esta é uma das conclusões saídas do Fórum organizado nesta quinta-feira, em Lisboa, pela Associação Portuguesa de Leasing Factoring e Renting. Num regresso da iniciativa ao modelo presencial, após dois anos de pandemia, a ALF juntou os associados em torno do tema “Financiamento especializado – O motor da transição na economia portuguesa”.

Rita Marques, Secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, a quem coube a abertura do Fórum ALF, salientou a nova agenda de transformação para a década como parte fundamental do desenvolvimento económico neste período. Com a sustentabilidade e a digitalização enquanto condições para o sucesso empresarial no pós-pandemia, Rita Marques destacou que “estamos a virar uma página, tendo em conta as circunstâncias pandémicas em que vivemos até há uns meses”, pelo que, na ótica do Governo, “este é o momento de trabalhar novas soluções, soluções inovadoras a nível do financiamento especializado”.

Neste encontro decorrido no Centro Cultural de Belém, Luís Augusto, presidente da Associação Portuguesa de Leasing, Factoring e Renting, salientou a recuperação ao longo do ano passado, em alguns dos indicadores, para níveis de 2019 pré-pandemia, explicando que “o financiamento especializado continua a posicionar-se como impulsionador inequívoco do crescimento económico. A evolução histórica do setor, mesmo em tempo de crise, assim o demonstra, e a recuperação iniciada em 2021 demonstra a resiliência frente aos fortes constrangimentos económicos dos últimos dois anos”, reforçou Luís Augusto.

São disso exemplo o renting, com um aumento da produção em 10,5% no número de viaturas ao longo do primeiro trimestre deste ano – recuperação homóloga a dois dígitos, ainda abaixo de 2019, mas que permite à ALF afirmar que “estamos a crer que o renting recuperará até final do ano para valores de 2019”.

Também o leasing, que no ano passado cresceu 5%, para cerca de 2,5 mil milhões de euros em financiamentos, soma um importante reforço no primeiro trimestre deste ano. De janeiro a março, a locação financeira cresceu 17,5% face ao período homólogo de 2021, fruto do forte contributo do imobiliário. “Contamos com mais 60 milhões de euros em operações novas, motivadas também pela melhoria do setor da construção em Portugal”, esclareceu o presidente da ALF. “São valores que nos deixam bastante otimistas para 2022, e que confirmam o papel crucial dos nossos associados para o crescimento da economia e para a sustentabilidade ambiental e inovação da economia portuguesa”, destacou Luís Augusto. Na senda da defesa ambiental, o financiamento especializado tem permitido o investimento em painéis solares e edifícios mais ecológicos, por exemplo.

A relevância dos bons instrumentos financeiros, bem como o papel da ALF na divulgação destes perante o tecido empresarial, foram destacados pela Secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços. “Não se terá bons investimentos se não tivermos à disposição dos nossos empresários bons instrumentos financeiros, que muitas vezes podem não ser do conhecimento de todos os empresários, principalmente porque temos um tecido económico e empresarial, muito sustentado nas micro pequenas e médias empresas”. À ALF cabe saber capacitar o tecido empresarial, destaca Rita Marques, num repto aos dirigentes e associados da ALF, seguido de uma assunção de responsabilidades próprias: “Numa reunião que tive com a direção da ALF foram identificados vários constrangimentos que precisam de ser regulados”. Entre esses temas, afirma a secretária de Estado, contam-se “a elegibilidade de algumas despesas no quadro dos fundos comunitários” e outros de natureza fiscal. “Sabemos que a nível de operações de leasing e renting, temas como o IMT e o IMI, precisam de ser melhor acarinhados e melhor analisados da parte do Estado”, assumiu Rita Marques, acentuando a necessidade de simplicação administrativa, “uma das propostas que tive oportunidade de discutir com o presidente da ALF”, explicou durante a sua intervenção neste Fórum.

O presidente da associação, por seu turno, referindo-se também às reuniões conjuntas entre a ALF e o Governo, apontou, perante os associados, alguns dos argumentos utilizados em prol do financiamento especializado. Entre eles, a segurança do leasing no aproveitamento dos financiamentos, considerando que “sendo a Locadora proprietária jurídica do bem pode ele servir de garante de que não há desvios do investimento realizado”.

 

Exportações aceleram com ajuda do financiamento especializado

A nível europeu, Portugal é já o terceiro país onde o factoring mais pesa no Produto Interno Bruto, valendo, no acumulado ano passado, 16,4% do total da riqueza produzida em 2021. “É o valor mais alto da história do factoring em Portugal”, realçou Luís Augusto. Já relativamente à participação nas exportações, o factoring vale cerca de 5% do total, representando cerca de 4 mil milhões de euros.

Por seu lado, referindo-se ao segmento das exportações, Isabel Marques, diretora da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), deu conta de uma transição na categoria dos bens exportados, de produtos indiferenciados, para outros “com incorporação de alguma inovação, design, tecnologia e maior valor acrescentado. Temos que evoluir e transitar para perfil de produção que aporte mais valor, quer às empresas quer à economia”, instou a diretora da AICEP perante uma assistência de dezenas de associados da ALF, designadamente das rentings e do setor financeiro.

Num encontro onde foram debatidas, para lá da transição exportadora, também a transição do tecido empresarial (tema analisado por Jorge Portugal diretor-geral da COTEC Portugal), a transição energética (explicada por Nelson Lage, Presidente da Agência para a Energia - ADENE), a transição digital (João Mota Lopes, Public Sector Lead da Oracle) e a transição da mobilidade (Rui Rei, presidente da Parques Tejo E.M.), coube ao diretor da Agência para a Competitividade e Inovação (IAPMEI), José Augusto do Vale, encerrar a sessão.

O futuro da economia nacional passa claramente pelo aumento das exportações, e o factoring pode e deve ser uma ferramenta indispensável neste caminho, com a sua capacidade de cobrança em praticamente todos os países do mundo”, destaca o presidente da ALF, frisando que “num mundo em constante mudança, o factoring permite às empresas assegurar que as facturas são pagas no dia combinado, e que os fornecedores também recebem atempadamente, coisas que nos tempos de hoje continuam a ser uma dificuldade”, frisou Luís Augusto.

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